Manaus sob fumaça: queimadas quadruplicam no Amazonas
A capital do Amazonas amanheceu encoberta por uma densa camada de fumaça, resultando em alertas emitidos pela Defesa Civil e na suspensão das aulas na rede municipal de ensino. Com a prefeitura decretando estado de atenção, a crise ambiental reflete o salto alarmante nos registros de calor: em setembro, o estado contabilizou 3.726 focos de incêndio, quase quatro vezes o volume observado no mesmo período do ano anterior.
Impacto da estiagem severa na região
O agravamento da crise está diretamente ligado à escassez de precipitações entre os meses de julho e setembro, quando o volume acumulado ficou muito abaixo do esperado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A situação tornou-se crítica a ponto de agosto terminar sem nenhum registro de chuva na capital, enquanto o ar irrespirável colocou a cidade no topo do ranking nacional de poluição atmosférica medida pelo Índice de Qualidade do Air (AQI⁺).
Origem do fogo e fatores climáticos
De acordo com especialistas, a prática tradicional de usar o fogo para limpeza de pastagens e áreas já desmatadas ganhou proporções catastróficas devido ao resfriamento e ressecamento provocados pelo clima. A situação é agravada pela atuação do El Niño, fenômeno que inibe as precipitações e impede a dispersão dos poluentes na atmosfera.
“Com a intensificação do El Niño, essas fontes de ignição que estão queimando nas áreas de pastagem, nas florestas secundárias, tendem a entrar nas florestas, que estão numa condição muito mais seca devido à falta de chuva. A somatória desses fatores é que gera esse aumento das queimadas e toda essa fumaça que atinge diretamente a população e a sua saúde”, explica Aragão, que atua na área de monitoramento ambiental por satélites.
Ações de combate e resposta governamental
Diante do avanço das chamas, o governo estadual promulgou um decreto de proibição ao uso do fogo apenas em 9 de setembro, medida que motivou o Ministério Público de Contas do Amazonas a solicitar uma investigação sobre a eficácia das ações de controle. Em paralelo, o Ministério do Meio Ambiente informou que forças federais, incluindo brigadistas do Ibama e do ICMBio, atuam no combate aos focos ativos com o suporte de aeronaves.
“A atmosfera depende de dois grandes faxineiros: a chuva e o vento. Sob o El Niño, a seca predomina, e esses dois faxineiros praticamente entram em greve. O resultado é uma concentração maior da fumaça das queimadas. […] O calor excessivo favorece a propagação do fogo, que fica mais descontrolado, e isso se soma à falta de chuva, que poderia reduzir a fumaça”, explica o meteorologista César Soares, da Climatempo.
Enquanto a falta de chuvas continua a dificultar o trabalho das equipes de controle ambiental e a manter a população sob riscos respiratórios, autoridades seguem monitorando a dispersão dos poluentes para evitar que o cenário afete ainda mais estados vizinhos na região norte e centro-oeste.
Fonte: G1 Meio Ambiente