Marcas em letras de música: 5 casos do pop ao sertanejo
A confirmação da estreia das Pussycat Dolls no Brasil, com apresentação agendada para 30 de outubro em São Paulo, traz à tona um capítulo curioso e pouco lembrado dos bastidores fonográficos: a tentativa de transformar refrãos em espaços comerciais.
H2 O e-mail que vazou a estratégia em 2008 No ano de 2008, propostas enviadas por um agente chamado Adam Kluger acabaram indo parar na caixa de entrada da imprensa por engano. A meta era comercializar espaço publicitário nas composições do grupo feminino. Na ocasião, liguei para o contato telefônico presente no rodapé do comunicado. O homem tratou a imprensa com aspereza, mas explicou de forma direta o conceito da empreitada: “A gente tem as celebridades e eles têm o dinheiro”. Apesar da investida, ele assegurou durante a conversa que nenhuma canção da girl band foi negociada com marcas.
H2 Flo Rida e o pioneirismo no rap Enquanto o grupo pop passou longe dessa prática, nomes do rap apostaram na ideia. O rapper Flo Rida foi o pioneiro a comercializar seus versos. A faixa “Hey Jasmin” divulgava uma plataforma de webcam com modelos, enquanto “Zoosk Girl” fazia menção a um aplicativo de relacionamento da época.
H2 O limite do pop internacional e a força do sertanejo Apesar da repercussão no final dos anos 2000, o mercado global rejeitou a ideia de monetizar letras, preferindo o uso de produtos em videoclipes.
Por outro lado, o gênero sertanejo no Brasil adotou a estratégia com alta lucratividade. Gusttavo Lima recebeu pelo menos R$ 1 milhão para mencionar a marca Old Parr na música “Zé da Recaída”, lançada em 2018. Em 2020, a dupla Zé Neto & Cristiano levou o modelo ao extremo com “Alô Ambev”, uma canção que funciona tanto como sofrência quanto como peça publicitária.
H2 O consumo orgânico na MPB e o cenário atual Atualmente, menções diretas pagas em composições tornaram-se incomuns. O padrão são citações espontâneas, como ocorre na MPB e no rock nacional com referências a refrigerantes de forma natural, sem cachê envolvido. No fim, o mercado optou por parcerias em clipes e redes sociais, preservando a autonomia criativa das letras.
Fonte: G1 Pop & Arte