Gigantes da tecnologia buscam na religião respostas éticas para a IA
Enquanto a corrida pelo desenvolvimento da inteligência artificial mais avançada se intensifica, companhias do setor voltam sua atenção para a religião na tentativa de ensinar a seus sistemas a diferença entre o certo e o errado.
O diálogo entre tecnologia e fé
Executivos preocupados com o potencial destrutivo da tecnologia têm buscado o apoio de pensadores e clérigos. A intenção é encontrar princípios morais capazes de orientar os modelos em um cenário onde os temores públicos continuam crescendo. Como essas empresas não seguem uma crença única, a meta é reunir visões variadas. “Essas não são perguntas que um laboratório possa responder”, disse Chris Olah, cofundador da Anthropic, no início deste ano, durante a apresentação, no Vaticano, da encíclica do Papa Leão XIV sobre inteligência artificial. “São perguntas com as quais tradições como a sua lidam há milênios.”
Empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft têm intensificado os contatos com representantes religiosos, enquanto a Anthropic relata encontros com acadêmicos e clérigos de mais de 15 grupos. No entanto, estudiosos apontam que essa abordagem pode ignorar a complexidade real das tradições espirituais.
Os riscos da visão simplificada
Especialistas alertam que tratar a fé apenas como um livro de regras isolado pode gerar distorções, privilegiando certas culturas e ignorando doutrinas ou rituais fundamentais.
“Existe uma maneira muito convencional de pensar na religião como um livro de regras”, disse ele. “Certamente, isso está muito ligado à religião bíblica e, no fim das contas, às religiões abraâmicas.”
Além disso, há o temor de que a fusão de diferentes perspectivas acabe homogeneizando o pensamento. Segundo críticos, a mistura automatizada de dados pode apagar as particularidades que definem cada crença de forma orgânica.
“Qualquer tradição viva e sofisticada é capaz, ao longo do tempo, de interagir com outras tradições, absorver novos conhecimentos e evoluir. Mas faz isso de forma orgânica”, disse ele. “O que a IA, acredito, muitas vezes faz — ou pode fazer — não ocorre de forma orgânica. Ela simplesmente mistura tudo, desorganiza tudo e, assim, acaba não dando sentido a nada.”
Fonte: G1 Tecnologia