Exercício físico e riscos da suplementação no câncer
A prática de atividades físicas regular emergiu como uma ferramenta terapêutica indispensável para melhorar a capacidade funcional, reduzir a toxicidade das terapias e otimizar a recuperação de pacientes oncológicos.
O papel do treino físico na oncologia
Durante o 13º Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio 2026), o professor Daniel Galvão, da Universidade Edith Cowan, destacou que a prescrição de exercícios deve ser sempre individualizada para atender às necessidades específicas de cada paciente.
“Ele melhora a capacidade funcional do paciente para atravessar o tratamento. Antes de uma cirurgia, deixa o indivíduo mais apto, o que pode resultar num tempo menor de hospitalização. Além disso, reduz a toxicidade do tratamento e será parte fundamental da reabilitação. Atualmente, as chances de sobrevida aumentaram muito, mas nem sempre essa sobrevida é de boa qualidade. É onde o treino físico é capaz de fazer uma enorme diferença”, afirmou.
No caso do câncer de próstata, por exemplo, a Terapia de Privação Androgênica reduz a massa muscular e eleva a gordura corporal, acelerando o envelhecimento e prejudicando a funcionalidade.
“O exercício é a melhor maneira para proteger a massa muscular, a integridade óssea e a função cardiorrespiratória. Tem que ser visto como uma intervenção terapêutica. Há um outro componente nessa equação: a melhora na percepção de vitalidade, qualidade de vida e saúde dos pacientes. Diminui a fadiga, um dos efeitos colaterais sofridos por quem está em tratamento, e auxilia nos quadros de ansiedade, depressão e estresse”, detalhou o especialista.
Embora a contraindicação médica aos exercícios tenha caído por terra após pesquisas intensas a partir de 2019, os sistemas de saúde ainda carecem de suporte sistemático para essa prática.
Riscos do consumo desregulado de suplementos
Em contrapartida ao avanço da medicina do exercício, o mercado de suplementos no Brasil movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões em 2025, impulsionado pelo consumo em 59% dos lares brasileiros, com índices ainda maiores entre os idosos. O hepatologista João Marcello de Araújo Neto alertou para os perigos do uso sem acompanhamento profissional.
Entre os riscos destacados estão a Vitamina A, que em doses moderadas reduz a densidade óssea e em altas concentrações gera toxicidade hepática; a Vitamina D, que acima de 1.000 UI diárias pode provocar hipercalcemia e cálculos renais; a Vitamina B6, associada ao aumento de fraturas de quadril quando ultrapassa 35 mg diários; e a Vitamina C, ligada à nefrolitíase em homens. Sobre os esteroides anabolizantes, o médico reforçou que elevam a pressão arterial, aumentam o LDL, reduzem a testosterona e prejudicam o fígado.
A importância da alimentação equilibrada
A nutricionista Wilza Peres reforçou que os idosos costumam ser os mais vulneráveis à promessa de longevidade por meio de cápsulas milagrosas.
“A pergunta que deve ser feita é: que problema este suplemento vai tratar ou prevenir, e qual é a evidência de que funcione? Se não houver resposta, não há indicação”, pontuou.
Multivitamínicos, por exemplo, só se justificam em cenários de dietas restritas, insegurança alimentar ou problemas de mastigação.
“Suplementar não é uma intervenção biologicamente neutra. O padrão alimentar vale mais do que uma cápsula. Alimentos entregam nutrientes dentro de uma matriz complexa. A dieta mediterrânea, por exemplo, diminui o risco de fragilidade em 56%”, concluiu a especialista.
Fonte: G1 Bem-Estar