Karim Aïnouz estreia Rosebush Pruning no Brasil com elenco estelar
O aclamado diretor cearense Karim Aïnouz traz oficialmente aos cinemas brasileiros sua mais recente empreitada internacional, Rosebush Pruning. A obra estreou no circuito nacional após marcar presença na 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim e passar pelo Festival do Rio.
Elenco de peso e bastidores A produção internacional conta com um timaço de estrelas em seu elenco principal, reunindo nomes como Elle Fanning, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Lukas Gage, Elena Anaya, Tracy Letts e Pamela Anderson. Em entrevista, o cineasta explicou que a escalação fluiu rapidamente devido ao forte interesse dos artistas pelo roteiro assinado por Efthimis Filippou.
“Houve um apetite muito grande desses atores pelo material. A Elle almoçou comigo e contou que tinha lido o roteiro (escrito por Efthimis Filippou) e adorado sua personagem. Ela sempre quis fazer alguém assim, que chega como uma espécie de estrangeiro e provoca uma mudança. Para um ator, é muito estimulante interpretar personagens que nunca interpretou. E acho que, para mim, também”, diz o diretor.
Dinâmica familiar e sátira Ambientada na Catalunha, a trama acompanha uma família americana rica e excêntrica que lida com situações absurdas e moralmente questionáveis. Os irmãos Jack (Jamie Bell), Ed (Callum Turner), Anna (Riley Keough) e Robert (Lukas Gage) demonstram enorme superficialidade ao se importarem mais com roupas de grife do que com o pai cego e dominador, vivido por Tracy Letts. Tudo muda quando Jack decide deixar o clã para viver com a namorada Martha (Elle Fanning), desencadeando eventos violentos.
O projeto nasceu de uma proposta do produtor Michael Weber durante a pandemia para reinterpretar o clássico italiano De Punhos Cerrados (1965), de Marco Bellocchio. Para Aïnouz, a narrativa dialoga diretamente com o isolamento dos ricos e com temáticas de toxicidade patriarcal exploradas em seus trabalhos recentes.
“Quando a gente pensou no projeto, no começo, era quase como uma continuação de “O jogo da rainha” (2023) e “Motel Destino” (2024). Porque são filmes com personagens masculinos antagonistas, muito perigosos, tóxicos, sobre patriarcas”, pontuou o cineasta, acrescentando: “Em ‘Rosebush Pruning’, é uma história de como esse patriarca, de fato, domina essa família como um presidente que domina um país. Então acho que tem uma série de paralelos com o mundo que a gente está vivendo”.
Desafios e recepção do público Apesar do teor chocante e das sequências intensas, o realizador destacou que não houve qualquer resistência por parte do elenco em relação às cenas mais ousadas do enredo.
“Quando o roteiro estava pronto, achei que nenhum ator iria querer fazer esse filme, porque ele é tão maluco (risos). Mas foi justamente o contrário. Houve uma curiosidade e um desejo muito grande de participar do projeto, porque era muito diferente de tudo que os atores tinham feito. Então, não ouvi ninguém dizer ‘Não vou fazer isso’, porque estava no roteiro. Acho que foi exatamente isso que os estimulou, assim como a mim, a sair da zona de conforto”, declarou.
Estética marcante e próximos passos O longa também se destaca pela direção de fotografia vibrante de Hélène Louvart e pela trilha sonora assinada por Matthew Herbert, elementos que ajudam a preservar a assinatura autoral do cineasta em solo estrangeiro.
“Para mim, o que eu sempre tento proteger é a minha marca. Eu tenho um jeito de contar a história. Eu tenho um jeito de trabalhar a interpretação dos atores, tenho um jeito de escolher música, tenho um jeito de escolher a cor”, ressaltou.
Com novos projetos internacionais já engatilhados, como Neon River, que terá passagens pelo Japão, o diretor reforça que o idioma ou o país de gravação importam menos do que a força narrativa dos enredos.
“Eu acho que é sempre estar sendo estimulado por histórias e personagens pelos quais eu me apaixono, por histórias que eu acho que devem ser contadas. Então, fazer um filme aqui, na Espanha ou na Inglaterra…”, concluiu. “Eu sempre estou procurando algo que me instigue, independentemente de onde isso acontece e em que língua é falada”.
Fonte: G1 Pop & Arte