Tite no Botafogo: como corrigir a defesa e escapar do Z-4
O Botafogo enfrenta uma de suas temporadas mais desafiadoras no Campeonato Brasileiro e caminha para fechar o ano com a sua pior marca defensiva desde a implementação da SAF. Com 51 gols sofridos até o momento, a equipe alvinegra supera apenas a Chapecoense neste quesito na edição de 2026 do torneio nacional. Mesmo com a chegada de Tite ao comando técnico há pouco mais de um mês, a fragilidade atrás continua preocupando os torcedores na luta contra o rebaixamento.
O desafio de Tite e a instabilidade defensiva
Nos cinco confrontos disputados sob a batuta do ex-treinador da seleção brasileira, o time carioca só passou ileso contra a Chapecoense, duelo que representou a única vitória do comandante até o momento. No total, foram oito gols sofridos em cinco partidas, resultando em uma média de 1,6 tento tomado por compromisso. A situação é agravada pelas constantes mudanças forçadas na escalação, onde apenas Ferraresi se mantém como titular absoluto, enquanto nomes como Arthur Chaves, Lucas Monzón e o lateral Marçal improvisado precisaram compor a dupla de zaga devido a lesões.
Análise dos comentaristas sobre a crise
Diante deste cenário delicado, especialistas apontam soluções urgentes para a reta final do campeonato. A comentarista Belle Suarez destaca a necessidade de priorizar a organização tática do setor defensivo para conter a fase ruim.
— Acho que o Tite ainda não teve o tempo necessário para fazer um raio-X em cima do que ele tem à disposição. E se teve, ainda não conseguiu implementar. Acho que o Botafogo precisa urgentemente começar a organização do seu time pelo setor defensivo. É uma estratégia mais básica, mas para um primeiro passo, para apagar um incêndio imediato… Me parece o mais importante, estancar a sangria.
— Ajustar o setor defensivo para que aí sim os outros setores consigam fluir melhor, produzir mais. É um Botafogo que toma muitos gols, com a linha de defesa constantemente desorganizada.
— E isso é, de certa forma, uma característica dos trabalhos do Tite. A gente, que viu um Tite por muitos anos na seleção brasileira, sempre exaltou o trabalho sem bola das equipes dele. Às vezes não era encantador, não era empolgante, mas sabia ser muito pragmático. Eu acho que é desse pragmatismo que o Botafogo tá precisando no momento.
— Pela forma que a gente se acostumou a ver o Tite pensando futebol, o setor defensivo (precisa de mais ajustes) nesse momento. Claro que você tem que aumentar a produção ofensiva, melhorar a pontaria desses jogadores do Botafogo. Tem que descarregar a responsabilidade que fica muito nas costas do Danilo.
— Mas eu começaria pelo setor defensivo. É beabá mesmo, parece um trabalho que precisa ser feito de maneira muito embrionária. Botafogo precisa arrumar a casa. Na minha ideia de futebol e naquilo que a gente já viu do Tite, arrumar a casa passa obrigatoriamente por uma organização do setor defensivo. Outros setores podem render mais? Com toda a certeza. É o que eu falei, tirar um pouco da responsabilidade do Danilo, que é um cara realmente diferente nesse elenco. É natural que se espere muito dele, mas nem sempre ele vai jogar muito ou estar num bom dia.
— Tentar aliviar um pouco essa responsabilidade em cima dele, do Danilo, e acho que naturalmente o Botafogo vai fluir um pouco melhor. Isso, com certeza, pensando também na próxima janela de transferências, que a gente não sabe como vai ser. As janelas do Botafogo são sempre surpreendentes, vamos dizer assim.
A questão da competitividade no meio-campo
Por sua vez, o comentarista Paulo César Vasconcellos avalia que a postura da equipe precisa mudar drasticamente, questionando algumas escolhas estratégicas do treinador na formação do time titular.
— Equipes treinadas pelo Tite sempre foram muito competitivas, e está faltando competitividade. Essa ausência de competitividade passa pela formação que ele tem levado a campo, especialmente no meio de campo. Tite não pode ser refém de ideias que o consagraram, como por exemplo o respeito à hierarquia. “Jogador de currículo, jogador de estatura” tem que ser titular. Depende do momento pelo qual o jogador está passando. Ele mexeu num ponto central de qualquer equipe, o meio de campo. Ao preferir Allan em detrimento do Huguinho, o Tite impacta diretamente na competitividade da equipe.
— O outro ponto é que ele, como técnico, com a qualidade e com a cabeça que tem, precisa desenvolver uma relação de cumplicidade com os seus jogadores. O Botafogo é um time que não compete em campo. Essa competição passa pelo que diz o técnico e pelo que acreditam os jogadores.
— O desafio é o jogo de quarta-feira contra o Remo. O Remo é uma equipe de baixíssima pretensão no campeonato, mas tá jogando em nome da dignidade. Equipes assim são sempre perigosas. Ainda mais se você não competir contra elas, e o Botafogo não tem competido. O desafio é voltar à estrutura anterior de meio de campo, mexer no ataque, colocando os jogadores mais assertivos, mas essencialmente transformar o Botafogo num time competitivo.
Ocupando atualmente a 11ª colocação na tabela de classificação com 39 pontos, o clube carioca se prepara para os próximos compromissos no torneio. Depois de medir forças fora de casa contra o Remo, o desafio seguinte será no estádio Nilton Santos diante do Atlético-MG.
Fonte: GE Futebol